MAWO - centro de formação, pesquisa, registro e divulgação da cultura ikpeng.

A MAWO é fruto de um projeto iniciado em 2009 pela Associação Moygu do povo Ikpeng e o Instituto Catitu. A iniciativa resultou na implantação de uma casa de cultura na aldeia Moygu, no Parque Indígena do Xingu, para acolher um centro de documentação e pesquisa e um núcleo de produção audiovisual.

KUREKO: O CENTRO DE DOCUMENTAÇÃO DA CULTURA IKPENG

“Nós vamos lembrar: ’Ah, é esse trabalho que está guardando nossa história, de onde viemos, aonde nascemos, a origem da nossa comida, a origem da água. Isso tudo vai ficar guardado para sempre. A nossa fala, as histórias que contamos.’”

(Cacique Melobô)

 

 

Elaborado na língua materna a partir dos critérios e categorias que marcam a visão de mundo ikpeng, o centro de documentação tem por objetivo estimular os jovens a valorizar sua língua e a riqueza de seus saberes, criando novos espaços para a transmissão de conhecimento e práticas culturais e possibilitando o acesso ao patrimônio cultural Ikpeng pelas atuais e futuras gerações.

Mawo

Com o intuito de disseminar essa experiência inovadora, realizamos ao longo de cinco anos, o documentário “Projeto MAWO – Casa de Cultura Ikpeng” que retrata o processo de implantação, metodologia e desenvolvimento do Centro de Documentação da Cultura Ikpeng para a divulgação ente as comunidades indígenas engajadas em iniciativas de promoção de sua cultura e o público em geral. Assista ao filme.

Ao reunir em um centro de documentação na aldeia a produção ikpeng – filmes, fotos, livros, desenhos, textos, além de documentos históricos produzidos por cineastas e pesquisadores externos, a comunidade passa a ter acesso direto a estes materiais.

O Centro de Documentação possui também vasto potencial para apoiar projetos culturais da comunidade, seja na produção de seus filmes, CDs e livros, como no apoio pedagógico às atividades da escola indígena ou ainda como suporte a projetos de cunho ambiental.

“Para nós, a MAWO é um ponto de encontro do novo com a tradição.”

Maiua Ikpeng – Professor Indígena

A Base de Dados

Para garantir que a base de dados expresse a visão de mundo ikpeng, sua criação contou com o envolvimento de professores e alunos da escola ikpeng, agentes de manejo ambiental, a equipe de audiovisual e dos anciões.

A Base de Dados foi desenvolvida como parte do treinamento da equipe que passou a operá-la para que pudesse ser acessada diretamente pelos Ikpeng sem que dependessem de intermediários para seu uso.

MAWO

Desde sua criação foram realizadas oficinas de vídeo, de captação sonora, de ilustração e de iniciação digital e a criação de um site ikpeng (www.ikpeng.org) a partir das ideias, desenhos e textos produzidos pelos jovens, cineastas, agentes de manejo e de saúde e os membros da Associação Moygu.
Os cineastas Ikpeng realizaram o documentário Som Tximna Yukunang (Gravando Som) sobre o ritual de iniciação das crianças ikpeng e o CD Yumpuno Eremrï com os cantos deste ritual . Assista mais.

O projeto foi patrocinado pelo Programa Petrobras Cultural e pelo PDPI (Projeto Demonstrativo dos Povos Indígenas/Ministério do Meio Ambiente); contou com o apoio da Embaixada da Noruega e teve ainda a parceria do Instituto Socioambiental e do Museu do Índio (Projeto de Documentação das Culturas e Línguas Indígenas).

A partir de 2013, com o apoio do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan e da Embaixada da Noruega, o Instituto Catitu deu continuidade ao projeto desenvolvendo o Centro de Documentação: catalogação do acervo ikpeng, capacitação de jovens para a administração da base de dados e gestão do centro de documentação, e treinamento dos professores e alunos da escola ikpeng para uso da base de dados como ferramenta de pesquisa.

O povo Ikpeng

Os Ikpeng vivem no Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, desde 1967. O primeiro contato oficial entre eles e a sociedade nacional ocorreu em 1964 às margens do rio Jatobá. Por estarem sendo ameaçados por garimpeiros que invadiram seu território e por doenças que contraíram, os irmãos Villas Bôas convenceram os 52 indígenas que restavam do grupo a mudar para o Parque. Quase 50 anos depois, apesar do exílio de sua terra ancestral, os Ikpeng continuam a falar sua própria língua e a celebrar suas festas, mas estão preocupados com o enfraquecimento da transmissão de seus saberes e práticas culturais.

Por um lado, os principais especialistas rituais da comunidade estão envelhecendo, o que põe em risco uma importante fonte destes conhecimentos; por outro lado, os Ikpeng vêm passando por uma série de transformações decorrentes do maior contato com a sociedade nacional, o que interfere no diálogo entre gerações e nas formas tradicionais de transmissão de conhecimentos e da língua.
Os Ikpeng entendem que uma das estratégias para a perpetuação de seus conhecimentos tradicionais é a sua contínua atualização através da prática, da documentação e de sua difusão, valorizando aqueles que são os principais detentores desses saberes, os anciões.